Leitura classista

O perigo de um socialista tupiniquim basear sua leitura classista em obras americanas é desperceber acerca das contradições evidentes de uma sociedade que anseia, como água, ao funcionarismo público. O ódio à classe-média, que na civilização representa os indivíduos aptos ao consumo irrestrito, exigências qualitativas de produto e investimentos intelectuais crescentes, torna-se mera faceta da quimera revolucionária, quando não enxerga a realidade vinculada ao povo tutelado pelo Estado: a classe-média brasileira é, essencialmente, servidora governamental e por ele sustentado.

Desde já afirmo que em nada tenho contra ao funcionário público que honra a seu título. Contudo, assumir uma postura condizente ao cargo é o passo vital para que seja instalado o pensamento social do funcionarismo como um câncer que, se não contido, alastrar-se-á aos moldes europeus. Que sirva a seu labor, mas sabido que será socialmente reprimido, conquanto não gerador de riqueza faz-se antes o ralo da produção privada, esta de fato mantenedora da ordem econômica.

Belíssima a cena de certa atividade ocorrida nas terras do Império Opressor, quando foram negados aos funcionários públicos da Justiça Federal Americana participar de um evento sobre economia e investimento privados. Ora, não interessando aos tais o que é de cunho empresarial, e em sendo o funcionário público, além, aquele que adquire parte dos rendimentos empresariais pelas vias do imposto estatal, que lhes sejam dignificados os rótulos de personas non gratas ao recinto.

O indivíduo quando percebe a danosidade de determinado fenômeno coletivo imediatamente infere seus conceitos de reprovação, que se não reprimidos pelo Estado culminam inevitavelmente em humilhação social justificada. Tais quais aos funcionários públicos que representam a decadência do labor individual, aquele que adquire os rendimentos do assistencialismo há de ter as consequências vindouras irrefutavelmente segregacionistas, invariavelmente discriminadoras.