A equação de problemas globais

Assim, num mundo em que os problemas cada vez mais tomam uma proporção global e exigem que extrapolemos as noções de individuo ou de soberania nacional para uma ação conjunta, notamos ao mesmo tempo uma cultura fortemente narcisista baseada na imitação de estereótipos, como a busca pelo corpo perfeito ou pela riqueza sem esforço, explodindo em verdadeiras epidemias de depressão e suicídios, ou mesmo pelo sacrifício de nossos bodes expiatórios preferidos: seja por sua cor de pele no racismo, seja pela orientação sexual na homofobia, seja esmagando os mais fracos na luta abortista.

Portanto, a equação de problemas globais com cultura narcisista é uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento como, por exemplo, a conotação sagrada e religiosa em torno dos problemas climáticos entre alguns ambientalistas radicais no qual o meio ambiente é o bode expiatório moderno que endeusamos ao mesmo tempo em que o destruímos e destruímos a nós próprios. Nesse sentido, essa sacralização do meio ambiente é compreensível pois ele parece talvez o ultimo objeto disponível que toma um caráter religioso (na acepção clássica de religar) todos os homens em busca de um objetivo comum, que não desperte rivalidades e destruição. Em um mundo cada vez mais global teremos que descobrir o que realmente importa e o que desperta os bons sentimentos de todos os homens, para não vivermos um revival global do teatro da inveja.

Felipe Cherubin