A cultura necessária

Nestes tempos de igualitarismo iluminista definir a seleção universitária como necessária é adentrar âmbitos desconfortáveis.  As represálias ao texto anterior não foram poucas e, de certo modo, dão-me ânimo ao que agora lhes afirmo: o sufrágio universal, a universalização do voto a todo inepto, é antes as últimas consequências antidemocráticas, quando democracia se respalda no cidadão que exerce, de fato, a cidadania mediante as obrigações e deveres.

O igualitarismo, como prostituição da maioria em detrimento da minoria, enfraquece os alicerces da escolha do Executivo a partir do momento em que participam os indivíduos destituídos de qualquer parâmetro aceitável à responsabilidade a eles incumbida, aptos inevitavelmente a gerar danos incontestáveis à nação que lhes sujeita confiabilidade.

Ao problema temos a solução: o órgão eleitoral colegiado que indica, a partir de sua competência, determinado candidato. Diretamente, portanto, o cidadão investe em seus interesses políticos, contudo sem macular a responsabilidade da indicação política pela superveniente participação do incapaz. Obviamente que tal sistema somente corrobora a manutenção da qualidade dos políticos se é ausente a obrigatoriedade do voto; do contrário, o que existe é justamente a faceta infantilizada de Democracia – leia-se, a faceta igualitária -, que investe no indivíduo o manto do cidadão compulsório, ou, além, da cidadania irresponsável.

Aqueles não dignos ao sufrágio devem ser selecionados nos respectivos conceitos restritivos da nação: aos tupiniquins, que não vote o indivíduo favorecido por programas assistencialistas de origem Estatal, exclusão esta que abrange inclusive seus familiares diretos que indiretamente se sustentam das verbas alheias. Ver-se-á, caros, rebuliços e contestações não da sociedade vigente, a qual é estrangulada pela estatização da caridade, mas do mundo político, que se submeterá às indicações daqueles que carregam a cultura necessária na distinção das candidaturas.

A mazela do mundo igualitário é a participação do inculto e do semi-animalesco de assuntos que não lhes trazem a alçada pertinente. A necessidade de afunilamento político e universitário acompanha a expansão das desgraças vindouras dos equívocos políticos, em massa perpetrados por estes que no voto transferem a amesquinhamento das soluções pessoais à escolha política leviana. Manipuláveis e de intelectualidade não desenvolvida, não entendem a grandiosidade da política contemporânea, sequer seus resultados, sequer suas ideologias. São inertes à política, e devem ser assim tratados.