Economia e coletivismo; o politicamente-correto

Em plena emissora de âmbito nacional certo economista cita Manuscritos Econômico-Filosóficos, de Marx, como precedente de análise da conjuntura atual do labor, do trabalho individual perante a empresa, do capitalismo anárquico. E mais intrigante é o norte intelectual da citação, como se o economista estivesse proclamando a poesia antes não revelada aos homens e que transferirá ao conhecimento humano o que antes se ausentava à correção de todos os males.

Obviamente que suprimiu o teor antissemita inicial do livro.

Mas não o culpa; o fenômeno é globalizado. Bill Gates, em entrevista a Charlie Rose, afirmou que o capitalismo há de ser remodelado aos fins que não coincidentemente sua fundação sustenta. O bilionário nos ensina as mais sutis das virtudes daquele que se redime perante os feitos do sistema que lhe deu fortuna, e com culpa transfere a anticapitalistas a proeza de uma nova mensagem igualitarista, cujos contornos são definidos desde o aquecimento global à “distribuição de renda”,  a qual há menos de uma década era termo impensável em solo americano justamente pela sua natureza coletivista.

O que se vê em demasia aos pontos mais altos da complacência, tais quais nos exemplos acima citados, é o esquecimento de que o individualismo, como fator que afasta o homem da total dependência alheia, é também a característica da intelectualidade aflorada no Ocidente, da qual temos as inevitáveis considerações também cristãs. A não dependência se torna justamente a observação do oposto como aquele que, se não entrave, é partícipe da mesma construção social que aloca individualmente o cidadão ao consenso da sociedade unificada.

A unificação social amparada pela visualização individual de seus membros antecede e anula o coletivismo, que é antes a restrição primitiva dos moveres sociais e baseia-se estritamente nas concepções arcaicas de interdependência.

Basta relembrar-nos da História pela qual se atesta que a civilização moderna, em maioria fundada nos preceitos cristãos, se deu e se instalou, na percepção do grupo, na distinção necessária e pertinente entre os indivíduos sob o fulcro da estabilidade familiar. Ora, a família é antes o agrupamento individual que já de antemão rejeita a seus opostos (outras famílias ou, para o medo da velha comuna, o Estado), quando de igual sorte estes se firmam como eventual perigo à subsistência.

Uma das principais características que se perde no pensamento coletivismo é o ideário da ameaça, necessária a todo âmbito que, a partir da desconfiança geral, traça após estudada persistência a harmonia social e comunitária, esta que oriunda do individualismo inicial se organizará à defesa dos interesses grupais a partir de uma concepção individualista dos benefícios vindouros.

O coletivo como fator determinante da imbecilização comunitária é causa que antecipa a fragmentação intelectual, disposta e sujeita à aprovação coletiva antes ainda da percepção individualista da intelectualidade. A coletivização da sociedade é, além, a massificação da evolução filosófica acadêmica, quando o pensador é inserido na margem de opinião aceitável pelo coletivo; e, estando alheio, inevitavelmente será rechaçado ao exemplo nítido da teorização da degradação social a partir do homossexualismo institucionalizado.

Há outro nome ao coletivismo intelectual: o politicamente-correto.