Incluso nos resultados

A ausência das consequências morais é o que amasia da melhor forma as angústias do indivíduo decadente. Achado e resvalado pelas diferentes facetas da degradação moral, seja ela representada no homossexualismo, seja na perversidade sexual justificada pela desinstitucionalização familiar, ocorre inevitavelmente o acúmulo de todas as misérias morais jamais pensadas em um único fenômeno: a homossexualidade que tenta, de toda forma, refutar e rechaçar que suas tendências foram outrora iniciadas por meio da frustração.

A isso não há como escapar da psicologia, que estende a mão ao homossexual na tentativa de ajudá-lo a entender que, alheio às escolhas, ainda assim o indivíduo corrobora a visualização evidenciada da personalidade obstruída e degradada.

Contudo a dificuldade em se assumir frustrado (o que lhes retiraria todo o amparo de outras argumentações) é a mesma em se definir servo da família imoralizada, que transfere à prole certas tendências que já se mostram previsíveis. Exemplificando: o homossexual jura com toda convicção que, ao contar as mazelas de sua família em sua suposta opressividade, não está incluso nos resultados.

Sendo a ferida que se alastra ao câncer terminal, o indivíduo moralmente inferior reúne-se grupalmente para que sejam justificados os atos nos rodeios da minoria frustrada. E como tal, minoria muitas vezes inconcebível a qualquer sociedade organizada, faz-se valer pelo silêncio da Lei e a imposição de costumes degradantes, os quais formam silenciosamente a rejeição não demonstrada da opinião majoritária.

A única forma de se sustentar a decadência de determinado movimento é garantindo legalmente a coerção do Estado.

O abandono da selvageria

“Deus me disse” é a expressão corriqueiramente empregada por aqueles que procuram a justificativa de seus equívocos. O jargão, empregado geralmente nas situações de demonstração de fraqueza com a máscara do poder, prevalece sobre a mentalidade cristã pela visualização dos atos bíblicos em sua forma rupestre e imediatista, dos quais há a vinculação da atuação do Espírito Santo na conversão automática dos incrédulos por meio das palavras de quem profetiza.

E não há erro nisso.

Mas o jargão utilizado por cristãos aos cristãos, supostamente já convencidos da Fé, tem sua função alterada aos fins rasteiros do convencimento não da efetiva relação entre homem e Deus, e sim da magnífica tendência do indivíduo religioso se portar como líder dentre os ingênuos.

Portanto acusar determinado convicto a se afastar das ouvidorias constantes e juvenis da “voz divina humanizada” é trabalho de esforço contínuo, pois que existe a diferença entre aquele que participa da soberania divina em sua limitação humana e aquele que quer a participação e créditos divinos pela exteriorização de eventuais proximidades e relacionamentos íntimos com Deus.

O processo de individualização do relacionamento entre o cristão e Deus afasta gradativamente a tendência em se externar toda e qualquer concepção de credulidade na comunidade cristã, transfigurando o que inicialmente era algo a ser dito em algo a ser guardado no silêncio ou, além, nunca a ser proferido. E percebendo a comunidade cristã que a individualização é o fenômeno do amadurecimento, que afasta da própria coletividade as percepções pessoais das designações divinas, ocorre a recriminação instantânea do pretenso profeta, aquele que se diz iluminadamente apto a transferir de sua boca o que dita Deus ao público.

O que nos ensina os evangelhos é justamente a ausência gradativa do profeta, que argumenta em nome de Deus, cujo relacionamento de intimidade e perseverança é agora estendido a todo aquele que crê, anuladas as prerrogativas do bando e do coletivo, os quais são manifestações meramente primitivas de religiosidade e que foram abandonadas, ao menos em tese, na Reforma Protestante.

Ora, o protestantismo é o ápice da intelectualidade cristã em face do catolicismo rudimentar, que obtiveram as consequências do individualismo ordenado alicerçados na estruturação e institucionalização da família. O abandono da selvageria é a supremacia da Fé, que não se sustenta ausente de intelecto e pensamento sistematizado. A isso também chamam Teologia.

E a isso os carismáticos rejeitam.

Vácuo

O entrevistador pergunta: “Qual a diferença entre o socialista e o nazista”?

E o entrevistado responde: “Nós, socialistas, acreditamos no mundo igualitário e na ausência de classes sociais”.

Perfeito.

Demência

O marxismo expressa suas convicções das formas mais campestres e ameninadas: o jogador militar norte-coreano que na Copa do Mundo não demonstrou as dores de sua perna da qual o sangue escorria, porque é homem forte e destemido; o exército venezuelano com o brado “Pátria socialista ou morte! Venceremos!”, ao declararem a guerra fictícia para com a Colômbia. A infantilidade respalda a mente revolucionária, é o que nos ensina a história; e o igualitarismo é sua demência inevitável, mas não menos superficial, a rédea de muitas retóricas que converge, sempre, ao esmagamento do indivíduo e a decorrente supressão de seus anseios.

Virtudes socialmente relevantes

A Democracia basilar e originária é aquela fundamentada na maioria apta e responsável à escolha política; inexiste, portanto, considerar a maioria os indivíduos que sequer têm a capacidade de definir os rumos da própria existência. A estes são ofertadas as consequências políticas dos interessados e aptos, que não se sujeitam ao favoritismo, sequer ao assistencialismo. Repito aos leitores: aquele que tem sua renda proveniente de programas de incentivo à ociosidade, que anula o mérito em detrimento da caridade compulsória, é factualmente o indivíduo apolítico, irresponsável, não-cidadão.

O voluntarismo do voto é uma das formas eficazes de se afastar o inepto; este não largaria um dia de folga para se deparar frente à escolha do Executivo. O voto obrigatório perdura sobre o cabresto da cidadania imputada, que se enverga naqueles que votam pelas causalidades de programas estatistas de manutenção da dependência social.

Reafirmo a tese de Ayn Rand, a qual ditara as regras iniciais da sociedade que se consubstancia na marginalidade, inevitavelmente fadada ao caos, conquanto o indivíduo marginalizado fora anteriormente subjugado nas atribuições daquele dependente da caridade obrigatória.

Não preparado ao seio do labor e comumente fruto da família não institucionalizada, torna-se escória pelas próprias escolhas e ausente de virtudes socialmente relevantes.

A deliberada repressão

Percebo de certos comentaristas, pelos teores argumentativos explicitados, que a recente proibição do uso da burca na França em espaços públicos seria a reconfirmação da sociedade cristã que rejeita tardiamente qualquer que seja a apresentação primitiva muçulmana de pensamento, a qual infesta a Europa de modo sutil mas revelador de intenções nefastas e degradantes. Contudo, acompanhada da percepção, há o comum erro em se equiparar a coerção estatal em face de qualquer manifestação religiosa e a coerção social em face do movimento não civilizacional, este geralmente reprimido em suas raízes para ser posteriormente afirmado e corroborado pelo Estado por meio da legislação impositiva de costumes.

A atividade estatal que se observou na França é o mesmo princípio da imposição homossexualista tupiniquim, quando o que importa ao sujeito estatista é justamente suprimir a opinião individual perante o fato ou acontecimento, gerando a mordaça que a alguns olhos se mostra benéfica e ausente de quaisquer futuras repressões.

Opinião, caros, somente o indivíduo profere e é deste que expresso minhas afirmações corriqueiras. A burca como símbolo do bárbaro e da precariedade filosófica há de ser reprimida, não pelo Estado, mas pelos indivíduos, dos quais emanam toda sorte opinativa de rejeição ao fenômeno que, a alguns, chamar-se-ia preconceito. Porém a opinião estritamente individualista é antagônica ao coletivo estatista, vinculado a garantir sobre a maioria ou a confirmação de seus trejeitos, ou sua total aniquilação, sempre desconsideradas as opiniões individuais.

Não importa ao caso se socialmente o movimento é irrelevante ou, do contrário, se há de certo o incômodo social amplamente discutido; importa a prevalência opinativa, pela qual transfere-se à ordem civil sua própria organização, algo inconcebível ao coletivismo que centraliza no estatismo toda deliberação acerca das mazelas que afrontam a tradição vigente. Os conceitos que envolvem a repressão de fenômenos antissociais resvalam-se nas terminologias já definidas como degradantes, tal qual o preconceituoso indivíduo que, através da palavra, traz à tona as definições óbvias e evidentes de determinado movimento. Mais natural e individualmente aceitável ao caso da burca a deliberada repressão por meio de manifestações descentralizadas, que seriam nada mais que a expressão da rejeição social levada às últimas consequências. O mesmo ocorreria ao movimento homossexualista, se não houvesse a Lei que determinaria o silêncio da maioria.

Dois pêndulos e uma mesma medida é o que ocorre nos casos apresentados. A burca não mais será discutida pelo indivíduo, porquanto proibida, e o homossexualismo não mais será rechaçado pela maioria, vez que configurada a infração legal em suas decorrentes penalidades. A isso chamam Preconceito.

Se alguém não quiser trabalhar, também não coma

Irmãos, em nome do nosso Senhor Jesus Cristo nós lhes ordenamos que se afastem de todo irmão que vive ociosamente e não conforme a tradição que receberam de nós. Pois vocês mesmos sabem como devem seguir o nosso exemplo, porque não vivemos ociosamente quando estivemos entre vocês, nem comemos coisa alguma à custa de ninguém. Pelo contrário, trabalhamos arduamente e com fadiga, dia e noite, para não sermos pesados a nenhum de vocês, não por que não tivéssemos tal direito, mas para que nos tornássemos um modelo para ser imitado por vocês. Quando ainda estávamos com vocês, nós lhes ordenamos isto: se alguém não quiser trabalhar, também não coma. Pois ouvimos que alguns de vocês estão ociosos; não trabalham, mas andam se intrometendo na vida alheia. A tais pessoas ordenamos e exortamos no Senhor Jesus Cristo que trabalhem tranquilamente e comam o seu próprio pão.

Paulo a Tessalonicenses, segunda carta, cap. 3