Vício inerente

A Grécia toma as rédeas insistentemente rejeitadas pelo Brasil,  das quais viabilizam a superação do paradigma europeu de sociedade: somente o Estado promove o conforto. E já antecipando inevitáveis medidas de anulação da discrepância do ócio anuncia então a privatização dos transportes, correios e águas. Os clamores dos ociosos ressoaram nas ruas e de imediato os esquerdistas de toda a Europa enfatizaram pela perda da “coisa pública” em detrimento de conglomerados industriais. Talvez pelo fato de que, uma vez inseridos no âmbito privativo, terão de produzir riqueza em paralelismo à rejeição sumária do mercado ao inepto.

De sorte que a história já foi contada em terras tupiniquins, mas não ainda em Espanha, Portugal e Itália. A tríade de países que já têm a credibilidade abalada poderá se estender por França e Alemanha, caso haja dúvidas acerca da mantença da máquina estatal.

Ora, não se fala então de toda a Europa? Contudo os amantes do assistencialismo e do publicismo patrimonial inferem a casos isolados o que se conhece pelo “fenômeno da caridade pública”: a ajuda governamental, a assistência, aquilo que envolve a anulação do labor são fatores que devem ser anulados do seio social, pelo vício inerente do homem em se achar ao direito de reivindicar esmola. Uma vez tida por direito, o câncer não mais regride.