A obrigatoriedade da caridade

Não há filosofia mais aterradora e convincente àquele que deseja a anulação do Estado que a tese de Ayn Rand acerca da obrigatoriedade da caridade individual. É dela que se extrai quase que profeticamente a característica essencial daqueles que com a mão esquerda tentam incutir a culpabilidade das dores alheias, fazendo das virtudes pessoais e da estruturação familiar a causa que antecede as consequências da desgraça social.

Ayn Rand explica sinteticamente que a obrigatoriedade da caridade é não somente o desregramento do caráter humano, mas a corrupção de toda forma de sustentabilidade que deveria por ser de extremidade e voluntarismo irrefutáveis. Assim é que, por decorrência da dissimulação caridosa, o Estado toma a frente e, fincando em alguns o punhal da culpa, pratica o assistencialismo em contradição ao ímpeto individualista, o único que consegue apropriar a decadência a fatores também individuais, e portanto intransferíveis.

A discussão traça seu rumo se por decorrência das sociedades individualistas – ausentes algumas exceções, leia-se – temos os desenvolvimentos intelectual, econômico e religioso de maneira escrachada, se se entende por evolução religiosa a crença que envolve os valores cristãos. Como forma de absolver a decadência procura-se trazer à tona o primitivismo como virtude e a desgraça pessoal a infecção propagada pelo virtuoso e próspero, o tal que culpado gera em seu desenvolvimento outras misérias insolucionáveis senão pela atuação imperiosa do Estado. O próspero, seja intectual seja financeiramente, é visto como partícipe da “cultura de consumo”, terminúnculo proferido geralmente pelos estatistas tal qual a expressão “neoliberalismo”, que se outrora era conceito agora é adjetivo.

É de se notar que o culto ao primitivismo e à barbárie, exemplificados os atos de descarte da prole no seio ianomâmi e a antecedente justificativa ao latrocida que extingue a vida de um consumista, acompanha a culpabilidade estipulada como acompanharam os furúnculos a Marx. A culpa não é fator somente gerador da causa, mas também da petição antecedente à vítima inculpável, a qual, se pratica condutas reprováveis e de cunho não civilizacional, perpetua somente a estrita e inafastável opressividade do agente consumidor.

A era da justificativa que antecede o ato é esta, e há de se notar as palavras de Ayn Rand, que já em sua percepção dos trapos humanistas proporcionou seu legado: a caridade compulsória, conseguinte à culpa inquisitorial, é antes a extorsão da vontade e a deflagração do caos dos valores essencialmente humanos, que obviamente travestidos perpetua sobre o indivíduo as imposições da coletividade. O indivíduo seleciona o merecedor de seu crédito e assistência, mas o coletivo sobrevalece a degeneração moral como virtude dos desamparados, pelos quais tem-se a exigência da filantropia.

A civilização é o progresso em direção a uma sociedade de privacidade. Toda a existência do selvagem é pública, governada pelas leis da sua tribo. A civilização é o processo de libertação do homem relativamente aos homens.

Ayn Rand

Artigos que recomendo

Em tempo tenho me dado a artigos e revistas, não afastada portanto a inteligência dos blogues. Eis uma série de artigos do Mídia Sem Máscara, que odiado e amado faz previsões quase proféticas acerca de temas que de tão corriqueiros de certo são a faceta de tendências vindouras. Israel, economia, China, capitalismo e Democracia são temas que se não move nos leitores a curiosidade devida ao menos se refere a conceitos inevitavelmente atrelados aos antagonismos capitalismo/socialismo, ocidente/oriente, judaísmo/islamismo, cristianismo/marxismo.

Apreciem.

Saramago

Instrui-nos a vida em perceber que o cadáver pútrido se destitui daquilo que outrora pensava e agia o indivíduo, de tal forma que falecido o pensador a exaltação ocorre como obrigatoriedade da condolência e piedade.

Aquele que se nega a exaltar o morto é, portanto, execrado e atrelado às perspectivas de vingança, a qual é comumente vinculada à morte vindoura e não distante. Não exaltar a personalidade agora falecida é o exercício ao chamamento das reprovações inevitáveis. “Todo morto é santo”, é o que se diz.

Desculpem-me os leitores, mas Saramago ainda perfaz o lixo humano de quando em vida.

Odores do antagonismo

Não dificilmente a diplomacia tupiniquim é ignorada no meio internacional como fora ignorado o genocídio em Cuba. As palavras do Excelso Semi-analfabeto não surtiram efeitos à cúpula da Organização da Nações Unidas. Quando o assunto é refrear a proliferação nuclear, a ONU, que coaduna primitivamente com regimes totalitários socialistas, não titubeia. Mas longe está em se assumir que, por detrás do escopo militarista de um único país irrelevante, encontra-se atrelada a problemática islâmica.

A irrelevância, entrementes, é fator característico dos levantes contra a civilização ocidental, quando ainda em sua perspectiva vitimista e diminuta tenta a todo modo transparecer a seus pares certo poderio. Não obstante, sobram à escolha películas que fundamentam culturas bárbaras como a sina da educação elevada e de higiene exemplar, corriqueiramente vinculada ao orientalismo e, mais forçosamente, à imundície hindu.

“O Islã é um problema?”, certamente ressoará em meus ouvidos a aclamação da cultura pluralista, e sua função adestradora em indicar o politicamente correto à opinião alheia. Porém a questão é geralmente trazida à mesa acompanhada pelos odores do antagonismo, conquanto contrapõem-se às culturas o Cristianismo Reformado. “Portanto o Cristianismo e seu sistema familiar de sustentabilidade individual é a base da civilização?”, sofro ulteriormente a completude frasal a que espero.

Respondo a ambas as indagações: é.

Mais capim

E no curso de “Metodologia do Desenvolvimento Intelectual – Leitura Dinâmica, Memorização, Estratégias de Estudo, Concentração, Audiência”, da Intelectom, foi-me dada a palavra para discorrer acerca da saúde pública e eventuais vícios que corroboram o controle do Estado dos hábitos de alimentação.

Olhar rebaixado e pouca expressividade labial foram algumas das observações apontadas pelo professor uspiano, mas não falo de minha performance. Dignado ao assunto, então pressupus que indicar o funcionarismo público como uma moléstia contemporânea seria de fato provocar o ranço do ócio personificado: ao afirmar que “o sonho de todo brasileiro é se tornar funcionário público, e mamar na teta do Estado como amparo à ociosidade” reparei, como murmúrio inevitável, palavras e gestos de desprezo daqueles que se não são funcionários públicos, ao menos desejam o ofício.

Deveras intrigante é o fato de que a reprovação imediata da platéia – de certo justificados pela própria mentalidade que reina no seio jurídico – também se estendeu pelas palavras finais do esquerdista docente, que entre dentes (as afirmações indiretas são características basilares dos tais), e em sendo um funcionário público marxista, afirmou que o “labor privado é a exploração do oprimido”. Irei negociar profecias e predizer o futuro em praça pública após o feito.

As palavras retiveram seus efeitos, e me retirei do recinto sabido de que, se persistir em proferir o que não gosta o gado, mais capim terei de ter em uma próxima oportunidade. O assunto não se esgota e, falando de violência, escutei aberrações medievais totalmente esdrúxulas mas que em voga ratificam certa intelectualidade.

Comentarei ainda das afirmações de meus colegas convictos.

Vício inerente

A Grécia toma as rédeas insistentemente rejeitadas pelo Brasil,  das quais viabilizam a superação do paradigma europeu de sociedade: somente o Estado promove o conforto. E já antecipando inevitáveis medidas de anulação da discrepância do ócio anuncia então a privatização dos transportes, correios e águas. Os clamores dos ociosos ressoaram nas ruas e de imediato os esquerdistas de toda a Europa enfatizaram pela perda da “coisa pública” em detrimento de conglomerados industriais. Talvez pelo fato de que, uma vez inseridos no âmbito privativo, terão de produzir riqueza em paralelismo à rejeição sumária do mercado ao inepto.

De sorte que a história já foi contada em terras tupiniquins, mas não ainda em Espanha, Portugal e Itália. A tríade de países que já têm a credibilidade abalada poderá se estender por França e Alemanha, caso haja dúvidas acerca da mantença da máquina estatal.

Ora, não se fala então de toda a Europa? Contudo os amantes do assistencialismo e do publicismo patrimonial inferem a casos isolados o que se conhece pelo “fenômeno da caridade pública”: a ajuda governamental, a assistência, aquilo que envolve a anulação do labor são fatores que devem ser anulados do seio social, pelo vício inerente do homem em se achar ao direito de reivindicar esmola. Uma vez tida por direito, o câncer não mais regride.