Qualquer República

As palavras a seguir podem soar desconfortáveis a alguns corações…

Se afirmo pela desobediência como fator determinante do afastamento do indivíduo problemático, é por ele que se deve respaldar toda e qualquer concepção social. Assim é que, em detrimento das circunstâncias governamentais, tais como Chefes de Estado que de tempos em tempos anseiam pela perpetuação no Poder, há de se pensar pela eliminação sumária do sujeito.

A afirmação de Pat Robertson acerca de Hugo Chavez foi tomada em horrores maléficos e vingativos no antro tupiniquim, de certo pela língua daqueles que, querendo a eliminação de Bush, louvaram a administração do bandoleiro. Robertson afirmou que Chavez, pela natureza de sua administração contrária aos princípios democráticos e de viés marxista, deveria ser retirado do Poder, ainda que de tal forma seu assassínio fosse inevitável.

Intrigante que à época a ojeriza fora imediata, fazendo do conservador a caracterização máxima do cristianismo norte-americano. Mas descansadas as mentes dos observadores, a tese de eventual eliminação de Chavez considerou-se como válida e plausível, conquanto transcorridos os tempos de romantização de sua imagem e concretizada a natureza demente do venezuelano.

Ora, isso ocorreu pela característica fundamental de qualquer República: a desordem, a anarquia, o igualitarismo, o ócio (por decorrência, a ausência de mérito) há de ser execrado da sociedade, e assim de igual sorte seu mentor, do qual em suas virtudes revolucionárias geralmente é apossado no Executivo. Separam-se, porquanto necessário afirmar, a tolerância social entre seus próximos e a tolerância social perante o governante, que se já em sua condição essencial há de ser desprezado, quando tomado pelos anseios da mentalidade revolucionária deverá por ser removido.

E perpetrando atos contrários à República, advertido previamente, a eliminação do desordeiro é medida cabível nos trâmites judiciários ou, senão, nas veredas do descontentamento popular, tal qual Mussolini que pendurado na Piazza Loreto ventou novéis ares à sociedade italiana.

Pat Robertson é destes carismáticos que profetizaram o fim do mundo em 1982, tal como as catástrofes nos dias vindouros na purificação do homem pecador, e apesar de debruçado no manto do animalismo religioso, e de características fundamentalmente rupestres e degradantes, coadunando corriqueiramente com a anulação da ciência e de mentalidade primitiva na visualização do evolucionismo acadêmico, tem meu respeito.