Marinho encontra-se vitimado

Eduardo Marinho é das figuras que com trejeitos malandros e uma retórica de ímpetos adolescentes tenta, forçosamente, chamar a si o prospecto da intelectualidade. É no cenário das ruas o Marcelo D2 da música: decadência que, pelo discurso, transfigura-se no sublime. Isto pela inerência de seu personagem que angustiado pela realidade submete-se ao parecer da vitimologia: o malandro é vítima, e por isso sua justificada revolta. Não obstante a aula de Democracia, em sendo vítima da “elite” também é aquele que atrela ao Estado repulsa e paixão, as quais são em essência a máxima de Nietzsche: “O socialismo pode servir para ensinar, bem brutal e impositivamente, o perigo de todos os acúmulos de poder estatal e, nessa medida, infundir desconfiança diante do próprio Estado”.

Corrói-me contudo a proliferação da imagem do autodenominado artista em sua natureza pietista, a mesma que adentrou os limiares da Teologia, fazendo do Evangelho a demonstração máxima da vitimização em nome de Cristo. Corriqueiramente vinculo o fenômeno à ociosidade e à marginalidade pelo caráter destrutivo de uma virtude eventual, que não se expressa por culpa irrefutável daqueles que lhe oprimem. A virtude como mera imagem platônica e inconsciente traz, sabidamente, a idéia da prerrogativa de que as loucuras do sábio culminam e amparam os atos ameninados, que propositalmente impúberes é por isso respeitado pelos que se sentem vítimas esmagadas pelos sistemas et caterva.

“Publicidade é crime”, afirmou o malandro, vez que introduz o desejo antes não desejado. Vejam só, que até em seus desejos, em sua mais profunda consciência desperta, Marinho encontra-se vitimado.

As pulgas que rondam por detrás de minhas orelhas

As pulgas que rondam por detrás de minhas orelhas soltam grunhidos quando ouço falar que, em determino curso universitário, ter-se-á a presença de professos da USP. É o caso presente do curso “Metodologia do Desenvolvimento Intelectual – Leitura Dinâmica, Memorização, Estratégias de Estudo, Concentração, Audiência”, ofertado pela Intelectom, do qual participo e que, até o momento, tem caracterizado fundamentalmente o anticristianismo do esquerdismo uspiano.

Piadas entre dentes e que a grosso modo não exasperam grande expectativa é a tática corriqueira dos tais. Quando menos a colocação de textos de memorização cujos títulos já incitam a que vieram: ” O novo Estado Industrial”, de Galbraith, “Ignorando os contextos”, de Hayakawa, “Noção de Necessidades e Recursos”, de Garmani, “A Democracia: apelo aos valores”, de Bobbio, “Direitos Humanos e a ruptura”, de Lafer,  “Evolução”, de Freire-Maia, que termina profetizando: “A evolução tecnológica, se não for dirigida para o bem, igualmente poderá voltar-se para o mal”.

Isso em uma apostila de cento e trinta e seis páginas.

Como crianças travessas prontas a surrupiar o doce à mesa constantemente citam a inquisição em sua forma mais comum, da qual “milhões de pessoas foram torturadas e exterminadas pelo catolicismo opressor”. Grande memorizador mas não muito astuto em suas indiretas, o professor posteriormente afirma que não foram seis milhões de judeus mortos na Segunda Guerra Mundial.

O revolucionário então refreia seus instintos anti-judaicos e rapidamente muda de assunto, incumbindo uma piada sobre as “catedrais da fé”, pela qual distrai a mente de seus interlocutores de uma insinuação devastadora, porém ignorada pelos alunos que não conseguem distinguir os limiares da condição existencial de um socialista tupiniquim.

“O curso é necessário”, afirma então outro professor, “por conta do sistema de consumo que massificou o curso de Direito”. Brotam nas emoções do cujo a ausência do igualitarismo? Contudo já em ulterior observação ressalta que para a superação do competitivismo selvagem é necessária a “universalização da Universidade”, a qual é tarefa dos presentes docentes.

Em mesma lição o velho comuna, carismático e de semblante agradável, já elucida: “quem conseguirá ser um intelectual lendo Veja?”. Gargalhas espalham-se pelo ambiente. Mas o uspiano, leitor assíduo, postula a pertinência de um artigo publicado na revista Carta Capital.

Em tempo registrarei minhas impressões finais sobre o fenômeno, perceptível também nas cadeiras de cursos de Teologia.

Adolf Hitler: “We are socialists”

A mentira em seu sentido mais amplo acompanha o esquerdismo como os furúnculos a Marx. Charles Gomes citou e eu transcrevo:

“We are socialists, we are enemies of today’s capitalistic economic system for the exploitation of the economically weak, with its unfair salaries, with its unseemly evaluation of a human being according to wealth and property instead of responsibility and performance, and we are all determined to destroy this system under all conditions”.

Adolf Hitler em Speech of May 1, 1927. Toland, 1976, p. 306″

“Subcultura sul-estadunidense obscurantista”

Acompanho a discussão gerada pelo artigo de Norma Braga por honesta tendência ao sofrimento na leitura. E como a argumentação limitada acompanha a autora como pulga ao cão, sujando o nome do conservadorismo que, a meu ver, dever-se-ia chamar tão somente “individualismo”, Burity encrava em puro lamaçal a vitimologia girardiana que ampara o esquerdismo nacional. De certo que essa é a característica daqueles que se titulam oprimidos, mas nestas terras o amadorismo ativista é de fato um detalhe que já ressalta e ofusca o “esquerdismo científico” europeu, que ainda fundado nas mesmas premissas ao menos consegue gerar intelectualidade.

Comentei no referido artigo:

A limitação dos argumentos de Norma foi acompanha pela limitação vitimológica de Burity. Em consenso quase amador o autor se coloca como pretenso oprimido pelo “sistema capitalista”, e ainda adjetivando-o como o “velho pensamento” da desigualdade. Ora, Burity, a luta pela igualdade a que se fala não é a bandeira socialista; ao menos não é o que me dizem seus mestres. Mas como sei que o socialista cristão sequer lê os fundamentos de suas próprias concepções (medo?), é fácil perdoar equívocos comuns dos esquerdistas tupiniquins: como amadores em uma causa, santificam-se a si mesmos.

E achando desta vez que não iria encontrar menção ao Império do Norte, o “Grande Opressor”, eis que pia Rodrigo em grande pérola:

Rodrigo Gonçalves De Souza | Belo Horizonte – MG #7 Resposta concisa e firme. Com certeza provocativa para aqueles que querem propagar valores demófobos, plutocratas, preconceituosos e de anomia invocando uma suposta “cosmovisão cristã” que não passa de travestir uma subcultura sul-estadunidense obscurantista (que hoje se organiza em milícias fundamentalistas” com roupagem religiosa, e tentando vender a idéia de que a Constituição do Reinado de Deus é o estatuto do partido republicano. O conceito de liberdade destes boderlinistas sociais é o de exploração de muitos para o privilégio de poucos, tentando convencer os muitos do “mérito” daqueles.

Não foi desta vez. Continuarei a procurar por um esquerdista que não se considere vítima da Suprema Injustiça, que lhe anula as virtudes que deveriam, mas não são, externadas.

Subsistência

Escutar um funcionário público reclamar dos altos impostos estatais é como observar um médico que, em vista de seus pacientes, inviabiliza a cirurgia pelos custos da anestesia. Apontam justificadamente o objeto que lhes oferta os fundamentos de sua subsistência.

Qualquer República

As palavras a seguir podem soar desconfortáveis a alguns corações…

Se afirmo pela desobediência como fator determinante do afastamento do indivíduo problemático, é por ele que se deve respaldar toda e qualquer concepção social. Assim é que, em detrimento das circunstâncias governamentais, tais como Chefes de Estado que de tempos em tempos anseiam pela perpetuação no Poder, há de se pensar pela eliminação sumária do sujeito.

A afirmação de Pat Robertson acerca de Hugo Chavez foi tomada em horrores maléficos e vingativos no antro tupiniquim, de certo pela língua daqueles que, querendo a eliminação de Bush, louvaram a administração do bandoleiro. Robertson afirmou que Chavez, pela natureza de sua administração contrária aos princípios democráticos e de viés marxista, deveria ser retirado do Poder, ainda que de tal forma seu assassínio fosse inevitável.

Intrigante que à época a ojeriza fora imediata, fazendo do conservador a caracterização máxima do cristianismo norte-americano. Mas descansadas as mentes dos observadores, a tese de eventual eliminação de Chavez considerou-se como válida e plausível, conquanto transcorridos os tempos de romantização de sua imagem e concretizada a natureza demente do venezuelano.

Ora, isso ocorreu pela característica fundamental de qualquer República: a desordem, a anarquia, o igualitarismo, o ócio (por decorrência, a ausência de mérito) há de ser execrado da sociedade, e assim de igual sorte seu mentor, do qual em suas virtudes revolucionárias geralmente é apossado no Executivo. Separam-se, porquanto necessário afirmar, a tolerância social entre seus próximos e a tolerância social perante o governante, que se já em sua condição essencial há de ser desprezado, quando tomado pelos anseios da mentalidade revolucionária deverá por ser removido.

E perpetrando atos contrários à República, advertido previamente, a eliminação do desordeiro é medida cabível nos trâmites judiciários ou, senão, nas veredas do descontentamento popular, tal qual Mussolini que pendurado na Piazza Loreto ventou novéis ares à sociedade italiana.

Pat Robertson é destes carismáticos que profetizaram o fim do mundo em 1982, tal como as catástrofes nos dias vindouros na purificação do homem pecador, e apesar de debruçado no manto do animalismo religioso, e de características fundamentalmente rupestres e degradantes, coadunando corriqueiramente com a anulação da ciência e de mentalidade primitiva na visualização do evolucionismo acadêmico, tem meu respeito.

“Estes patifes querem a absolvição”

Em uma conversa com um amigo socialista, destes que estudam teologia mas negam a preponderância da validade bíblica no seio do protestantismo (como se negá-la fosse mero detalhe superável aos fundamentos da cristandade), sob o medo de inevitavelmente atribuir ao Ocidente capitalista o alicerce da civilização, estendi comedidamente os aspectos que envolvem a santificação do ócio e, por decorrência, a falácia da marginalidade como inerência do meio, afastando-se qualquer perspectiva de caráter e/ou debilidade intelectual.

Ainda, afirmando a característica fundamental do esquerdismo que é o louvor a tudo o que anula a educação civilizacional, trazendo à ordem os ativismos da baderna, tal como educando a sociedade pela imposição do ensino público fundamental e o devido registro trabalhista em face de qualquer atividade que gere riqueza e manutenção do consumo, encontrei no meu interlocutor o diálogo da vitimização, como um espelho inquebrável da tese girardiana da “boa vítima” e seu pedúnculo disseminatório do caos generalizado.

Certamente lembrei-me da passagem de Albert Camus, na obra A Queda, em um ensinamento que não deve ser dispensado:

Somos todos casos excepcionais. Todos queremos apelar de qualquer coisa! Cada qual exige ser inocente, a todo o custo, mesmo que para isso seja preciso inculpar o gênero humano e o céu. Contentaremos mediocremente um homem, se lhe dermos parabéns pelos esforços graças aos quais se tornou inteligente ou generoso. Pelo contrário, ele rejubilará, se se admirar a sua generosidade natural. Inversamente, se dissermos a um criminoso que o seu crime nada tem com a sua natureza, nem com o seu caráter, mas com infelizes circunstâncias, ele ficar-nos-á violentamente reconhecido. Durante a defesa, escolherá mesmo este momento para chorar. No entanto, não há mérito nenhum em ser-se honesto, nem inteligente, de nascença! Como se não é certamente mais responsável em ser-se criminoso por natureza que em sê-lo devido às circunstâncias. Mas estes patifes querem a absolvição, isto é, a irresponsabilidade, e tiram, sem vergonha, justificações da natureza e desculpas das circunstâncias, mesmo que sejam contraditórias. O essencial é que sejam inocentes, que em suas virtudes, pela graça do nascimento, não possam ser postas em dúvida e que os seus crimes, nascidos de uma infelicidade passageira, nunca sejam senão provisórios. Já lhe disse, trata-se de escapar do julgamento.