MST sustentável; ou “eu li no jornal que uma empresa”

Entrevistado pela Agência Brasil o MST revela alguns pontos interessantes de sua trajetória. Se antes o movimento perpetuava na falácia da terra como bem uno e que haveria de ser amparado pelo Estado-caridoso, hoje o movimento marginal argumenta abertamente acerca das alianças com as ONGs oriundas dos mesmos Impérios que os tais rechaçam. Se o antagonismo é evidenciado pela natureza marxista do movimento, o mesmo não ocorre quando há de fato a ansiedade pela destruição do empreendedorismo e dos conceitos basilares e fundamentais da propriedade privada.
—–
Agência Brasil: O MST espera conseguir o apoio de outros setores da sociedade com essa nova política de atuação contra os agrotóxicos e multinacionais?
João Pedro Stédile: Nós temos certeza de que a imensa maioria da sociedade brasileira também defende este programa. Já, agora, em movimentos pontuais, nós atuamos com o Greenpeace, com o movimento ambientalista e com os setores de defesa do consumidor. O próprio Idec [Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor] tem nos apoiado na questão dos agrotóxicos.
[…]
ABr: Já existem sugestões?

Stédile: Sim. Nós achamos que temos de transformar a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] numa grande empresa estatal. Ela deve garantir a compra de produtos dos camponeses e abastecer mercados populares com produtos de qualidade. Nós também temos que controlar o ingresso de multinacionais no Brasil. Estes dias eu li no jornal que uma empresa chinesa quer comprar 100 hectares de terra aqui. Isso é um absurdo. Não pode acontecer.