Vitimologia contemporânea

Se a condescendência de grupos cristãos ao comunismo (mergulhados na falácia do Estado como substituto da caridade individual) mostrou-se o meio à legitimação do espúrio social russo, antes ainda da proclamação do Estado Ateu soviético, a argumentação da Igreja Católica como aquela que na omissão permitiu o genocídio judaico da Segunda Guerra é prerrogativa de desqualificação imediata de seu Papa à época dos fatos, o chamado Pio XII. O absurdo toma os contornos de acalorados revolucionários indicarem a Igreja Católica a financista e administradora do nazismo de Hitler, conjuntamente às empresas americanas, ao melhor estilo Naomi Klein.

Mas a publicação digital de todos os arquivos secretos de Pio XII pode mostrar o contrário.

Negando os fatos e indicando comumente mera retórica pós-guerra, os comunistas, em breves levantes doutrinários, refutaram ser uma construção basicamente mentirosa a morte de aproximadamente 6 milhões de judeus, até lhes surgirem as fotos registrados e documentações probatórias pelos quais fecharam-se as bocas dos piedosos humanitários. A situação se esfacelou quando em estudos recentes o óbvio se esclareceu: os nazistas importaram tecnologia de exterminação em massa dos comunistas russos, estes que a utilizaram até meados da década de 50.

Ocorre que a diferença terminológica entre socialismo e comunismo enveredou os socialistas cristãos a proclamarem o “Novo Reino” sob a proteção da reputação destrutiva do nazismo: nazista e socialista, apesar de suas similitudes, são ambos divulgados como antagônicos, inclusive em suas consequências sacrificiais em prol do regime estabelecido. “Milhões de mortos pela espada nazista difere de milhões de mortos pela espada socialista”, elucidam convencidamente e com os olhos levantados aos céus. A noção de autopietismo, característica sumária da vitimologia contemporânea, também esfacela a seus inimigos.