A ausência predita das virtudes individuais

Presenciar um naturalista ingenuamente citar Leonardo Boff é encantador, contudo o desprezo repentino é inevitável e evidentemente humano. Certamente tal ocorre porquanto Boff não consegue separar dissimuladamente sua intenção da escrita, exemplificando a cada palavra o que por detrás há de mais primitivo na ecologia. E se a consideração de Boff como um pagão é automática, a superioridade cultural do cristianismo – ou, leia-se, do Ocidente -, demonstra-se em demasia irrefutável. Ocorre que o autor de diversas pérolas ecológicas não somente escreve e dita os liames do ambientalismo católico-marxista, porém é também caracterizado um filósofo e intelectual apto ao deslinde de todo e qualquer paradigma apocalíptico.

Assim é que Boff, ao afirmar que a Mãe Terra encontra-se estressada, tem a plausibilidade de sua tese minimamente analisada quando o sensato dentro da comunidade filosófica acadêmica seria a sumária descartabilidade. Aquele que lê Tim LaHaye deveria de pronto debruçar-se nos avisos de piedosos como este que cá comento e aquele que lá consegue a proeza de submeter o aquecimento global e a nova era glacial a um mesmo fator retórico.

Afirmo “seria” porque a visão de Boff como intelectual ambientalista está intrincado ao fato de que naturalmente o mesmo age em detrimento da opressividade alheia. Seus argumentos se constroem sob o alicerce de anteriores desgraças meritocráticas, que hão de expressar o problema da igualdade: o igualitarismo, novamente afirmo, é a ausência predita das virtudes individuais.

Eis o perigo daqueles que fundamentam seus anseios nas palavras do ecologista, vez que, de uma forma ou de outra, convergir-se-á  a tese exposta em mera faceta que antecede os argumentos igualitários. Faltam-nos, contudo, autores predispostos em adequar esclarecidamente a relação íntima entre o igualitarismo e o socialismo oriental; ou, retoricamente mais específico, a inevitabilidade da relação apaixonada do igualitarismo e a coisificação do indivíduo, o genocídio da personalidade, o totalitarismo da previsibilidade, uma hipótese sobre por que o nazismo tem a fama pior que o comunismo.

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