O breve contato com Naomi Klein

Devo assumir que o breve contato com Naomi Klein se deu em uma entrevista no programa Charlie Rose Show, que explicando seu livro No Logo inspirou-me facilmente a atribuí-la conotações anticapitalistas, apesar de sua aparência e retórica adolescentes. De fato. Eis que dela ressurge a antiga e predisposta afirmação: “o capitalismo é opressor”. Mas o interessante de seus discursos é a tentativa constante e premeditada de fundamentar a opressividade do livre mercado com os argumentos de Milton Friedman: segue-o como a criança ao pirulito e nas palestras indica o economista como seu rival, senão inimigo nato.

Há pensadores coletivistas que inclinam meu respeito, mas não quando a afirmação é a releitura de velhos hábitos de anticapitalistas ianques, que debruçados no conforto do mercado acham-se premeditados em avisar o mundo as mazelas de seus edredons.

Naomi Klein, contudo, envergonha seus companheiros ao estabelecer um parâmetro de comparação entre sua tese e a plausibilidade econômica da teoria de Friedman,  que esmaga-a sumariamente apesar dos esforços constantes em tê-lo como um econômico póstumo e irrelevante. Naomi, então persuadida como uma intelectual, lança suas pérolas em seminários que enfatizam a libertação da América Latina da opressora realidade das corporações, conforme os exemplos por ela ofertados: Bolívia, Equador, Paraguai, Brasil, Venezuela – ícones da civilização humana.

E ela torna a falar rapidamente enquanto Rose a fita com olhar de tédio e previsibilidade: é a decadência da imagem de Klein como intelectual, conquanto interrompida pelo entrevistador facilmente nos presenteia um semblante de frustração. Charlie Rose pergunta, acerca do desastre em New Orleans, dos méritos da rede de supermercados Walmart, elogiada pois que administrou abrigos à população. Naomi gagueja amadoramente e o entrevistador preza por outro assunto.

E antes brinca sutilmente Charlie Rose: “curioso que após sua morte ainda falamos de Friedman”.

Naomi Klein torna-se irrelevante.