A vítima e o opressor

Os conceitos equivocados quando apreciados pela filosofia trazem em si a objetividade de ser afastado, sumariamente,  qualquer respeito à tese exposta. É por tal motivo que o filósofo, quando expõe a concepção da realidade de forma anacronicamente estabelecida, como partícipe da quimera que instiga a mera especulação, não enseja grande curiosidade pela limitação teórica, não obstante, de seu equívoco essencial.

De tal forma que não é o pensador aquele necessariamente submetido à busca da Verdade filosófica, ou de sua ausência, conforme Nietzsche nos ensina, contudo, se orientado pelas premissas da Filosofia, submete-se automaticamente às caracterizações do que é antagônico ao verdadeiro, leia-se, a mentira estabelecida.

Mas a boa intenção reina na intelectualidade contemporânea e a terminologia “mentiroso” tornou-se adjetivação depreciativa e não de fato uma avaliação da tese ofertada. Aquele que mente, portanto, expondo sua tese de forma errônea e com pressupostos sabidamente safados é envolvido pela intenção subjetivada, que há de trazê-lo ao conforto da aceitação do ingênuo e leigo no que por detrás se escora o intelectual em suas afirmações. Para tanto, como não sobrevive a tese no invólucro da mentira se inexistente a vítima e o opressor, seleciona-se antecipadamente ambos os polos na sustentação da tese exposta, que ainda incompleta termina o desfecho sempre indicando quem são aqueles que oprimidos merecem a liberdade inevitável, antes indisponível, porém agora pelo oráculo revelada.