Ariovaldo Ramos não difere de Paulo Freire

A palavra esquerdista não faz mais sentido, nos dias correntes. Eu sou progressista!”, mugiu Ariovaldo Ramos. Utilizando-se das adjetivações e contrárias a todas elas, o ativista tenta se esquivar de qualquer pensamento que lhe ampare em responsabilidades conceituais e ideológicas. Não é liberal, ecumênico, extrema direita, sequer esquerdista; é, afirma, um “progressista”. Pelo progresso, entretanto, abraça amorosamente todas as idealizações que envolvem o Estado e seu poder assistencialista.

Esperto foi o homem, que em cima do muro agora profetiza suas tendências às águas e vinhos, aos direitos e esquerdos, faceta comumente utilizada por aqueles que não desejam a bajulação de uma ramificação específica da política coletivista.

Separemos, portanto, os individualistas e coletivistas, e não haverá muro a Ariovaldo que sustente o peso de uma adjetivação clara e obviamente constrangedora. Se o ativista quer se imaginar além do bem e do mal, observando a todos sobre o pedestal que anula qualquer caracterização de seu personagem, deve antes assumir sua condição de subjugação aos próprios atos: e por eles, Ariovaldo Ramos não difere de Paulo Freire.