Boff comenta Girard

Em “Um Longo Argumento do Princípio ao Fim”, de René Girard, pia Leonardo Boff:

“Sempre aberto à discussão, o que interessa a René Girard não é defender a sua teoria, mas entender fenômenos novos. E recolher os fenômenos naquilo que são. Creio que isto, no plano das virtudes, exige uma santidade intelectual, um desprendimento de si mesmo em função da realidade”.

Mas Boff não entendeu que, de sua própria tese, há a caracterização evidente do vitimismo e o bode expiatório girardiano. Vítimas são aqueles que na libertação enveredam à oposição e combate da opressão dos impérios, conclamam os piedosos.

Ao atribuir os males da humanidade ao Império do Norte, teólogos da libertação adentram ao que dizem João Cezar de Castro Rocha e Pierpaolo Antonello: “Os grupos de hominídeos que aprenderam a instrumentalizar a violência mimética tiveram uma origem comum: a descoberta do mecanismo do bode expiatório, mediante o qual a violência coletiva é canalizada contra uma vítima expiatória” (p. 17).

Triste é observar que pretensos filósofos, assim proclamados pelos seus próprios adeptos, inclinem-se a comentar a magnitude da obra de René Girard.