O instinto natural do homem rude

Constrange a mente carismática, dada aos braços dos mistérios e coisificação do Espírito, reconhecer que não é todo cristão aquele que se deleita no desespero dos milagres, que se não ofertado pela complacência divina haveria de arruinar a fé que se diz convictamente possuir. Se o milagre serve de amparo à afirmação contínua, como persevera o auto-vitimismo, ou a auto-comiseração, a inexistência de amparo filosófico corrobora a continuidade da debilidade intelectual. E continuo a afirmá-la. Mas é por tal característica que a filosofia deve e há de ser afastada, pois que é por ela que se reduz, ainda que minimamente, a visualização instintiva e animalesca da realidade e os fatos inerentes, intrínsecos ao fenômeno pentecostal, cujas formas alastraram-se e contaminaram o devido estudo universitário. Se há de se perseguir a evolução da intelectualidade cristã, inevitável a desconsideração das teses subjugadas sob o crivo destes que suprimem a concretude da filosofia em nome do instinto natural do homem rude: divinizar o desconhecido, e engrandecer a obtusidade.

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