A mais bela de todas as piedosas

Licinius Crassus que anteriormente vira ruir as paredes do Grande Templo indicou-lhe o caminho de saída. Fuja, se queres tempo e misericórdia. Aos pés das muralhas santas os corpos dos sacerdotes amontoavam-se em repugnantes esbravejos de desespero, e em suas mãos os candelabros. De forma menos grotesca as virgens do Grande Templo olhavam-se imbuídas a gritos de sofrimento; o que será do ascetismo?, eram as indagações aos mestres sobreviventes. Mas os mestres do Templo arruinado advertiram-nas com o teor da sabedoria: não há preocupação que não envolva as palavras do Rabino. Se Deus está em vós, o ascetismo perpetuará por toda a eternidade. E instruíram a piedade como valor supremo da Lei aniquilada.

As virgens sorriram, porquanto perceberam o sacrifício do corpo como ainda necessário, e expostas em suas vestes sinuosas levantaram as mãos aos céus com sorrisos delicados nas faces, regozijando-se as escolhas da pureza, e das mãos não soltaram os pregos outrora ensanguentados e anteriormente achados sobre a mesa dos sacerdotes. Louvara-se a pureza, e recostando os pregos no solo avermelhado saíram as virgens escoltadas pelos romanos, os quais estariam por tirar-lhes a inocência em prol da virtude de uma nova era, em que a pureza não estaria sob o palpável e visível. Sacrificaram-se uma última vez, mas nos braços de seus inimigos a dor da imaturidade ofertou-lhes o caminho da devassidão, percorrida pela jovem Amira, conhecida pelos seguidores do Nazareno como “a mais bela de todas as piedosas”.