Os ímpetos de sua fragilidade

Se Paulo demonstrou-se claramente humano e, portanto, necessariamente submetido às fraquezas da consciência, Pedro subjugou-se à armadilha da convicção decisivamente sobre-humana, porquanto, em mesma consciência, negou forçosamente os ímpetos de sua fragilidade para ser posteriormente rechaçado pelo Mestre. Eis o abismo entre Paulo e Pedro, este que, nos evangelhos, não encontrara o alicerce intelectual à sua tese e persuasão, tal como, ausente de preexistentes amparos filosóficos, professou o ativismo inevitavelmente imaturo.

O mesmo ativismo paulino – contudo fundamentado em filosofia – não expressou imaturidade, apesar da impulsividade argumentativa encontrável na letra da carta a Tito: tapeis suas bocas, porque ensinam o que não convém, conseqüência visível da ingenuidade daquele que aconselha. A conveniência de Paulo era a adequação às suas palavras, e conveniente a Pedro era externar as pretensões inabaláveis do servo ideal, a fé que não titubeia, recebendo a justa repreensão daquele que antecedeu as epístolas e evangelhos.