Quando submetida ao crivo filosófico

A exclusividade inegociável à literatura abraça-se nos contornos da teologia, se desta se considera a Bíblia e seus relatos como necessariamente literários. É por tal concepção que, ao visualizar as cartas paulinas como aquelas escritas pelos anseios de um homem, as narrativas se constroem pela futilidade humana e as incapacidades do pensamento meramente impositivo, mandatário, que não fundamente razões pertinentes ao exposto.

O descrédito de Paulo na contemporaneidade, ao tempo em que é ovacionado pela tese da Graça Divina, demonstra que os pontos concernentes de uma filosofia teológica também respaldam o entendimento da futilidade dos reformadores subjugados a Calvino, por exemplo, ou a insistência anti-semita de Lutero.

O homem Paulo estaria por expor sua tese em mesma fragilidade do comendador apto a transmutar o significado da Cruz, resultante na simplicidade evidente e inafastável da teologia de Cristo. Porém tal adição à mensagem do Nazareno demonstrou-se claramente aceitável, senão necessária: inegável que às palavras de Paulo há intelectualidade e persistência filosófica.

Se estas duas facetas da evolução da mente – intelecto e filosofia – surgem nos textos bíblicos como naturalmente deturpadores de eventual simplicidade, é por elas que se chega ao âmago da própria Mensagem, teorizada além do essencial, mas não menos pertinente.

Argumenta-se aos derredores dos templos a complexidade da teologia, quando submetida ao crivo filosófico, e o retorno premente à simplicidade exegética das palavras cristãs. Que se faça a medida e peso aos escritos de Paulo de Tarso.