A estatização gradativa do labor humano

A utilização de termos específicos e estranhos à sua significação é práxis corriqueira na deturpação de anteriores paradigmas, que hoje, atrelados, emolduram teses abstratamente reunidas em torno da realidade, porque o real encontra-se além da percepção do homem-médio.

A consciência que é individualista, singular, irresponsável para com o próximo e adaptável fincou no madeiro das afirmações ativistas como coletivista, pluralista, responsável em suas idealizações e inadaptável ao indivíduo que, em sendo minimamente vinculado ao parquet, invariavelmente terá os ímpetos em conflito com a bem-aventurança da argumentação piedosa.

Essa consciência que se deturpou ao coletivismo não somente se faz por descaracterização terminológica, mas também de suas finalidades imprescindíveis; finalidade do homem como naturalmente individualista, porém atrelado ao sentimentalismo que engloba, dentre outros afazeres, a caridade como conseqüência da propriedade particular. E, em vista de Ayn Rand, que o indivíduo não há de submeter à caridade, se tal não se espera de outrem para si próprio.

Não é outra a concepção do nascedouro revolucionário, se do ativismo conscientizador encontra-se facilmente a mente unificadora, contudo sob a coletivização da opinião individual, em face da transigência em tênue linha à absolutização do politicamente correto.

Os fenômenos coletivistas assim definidos são aqueles que à sociedade demonstram-se sustentáculo da retórica da opressividade, argumentação inerente à subjugação sumária do indivíduo aos anseios da representatividade conscientizadora, naturalmente exercida pelo Estado em sociedades ainda primitivistas. Tal precariedade decorre da evidente deterioração dos fundamentos essenciais da Propriedade, construção filosófica que adentra os meios sutis, mas evidentes, da liberdade individualista em face da totalização do que é ficção e ilusoriamente patrimônio público, concernente ao aglomerado coletivizado.

Se a conscientização é a terminologia deturpada da contemporaneidade, a propriedade coletivizada torna-se o paradoxo da pós-modernidade, era de exaltação do ócio como preceito que envolve a estatização gradativa do labor humano.