O sorriso da Esperança

Barack Obama em seu incrível sorriso consistente.

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O sistema opressor

Retorno à ociosidade. A encenação que anteriormente respaldou os ímpetos dos piedosos esquerdistas, em teologia e argumentações que visavam críticas contundentes, não era apta ao conflito evidente entre os tais e o capitalismo – o sistema opressor -, pois que de forma sutil imaginavam-se pensadores alheios a movimentos marxistas.

Mas se tal não mais ocorre é de se perceber que, na ânsia em elucidar o capitalismo como ausente de liberdade, o fazem nunca em citação à propriedade privada. Isto porquanto do privativo origina-se o homem além do Estado, e inexiste coletivismo destituído da estatização do labor humano.

Ora, o descrédito tornou-se como elogio à visualização da mercadoria em sua teorização rústica (em suma, marxista), além da assumição dos piedosos como contrários ao capitalismo – o sistema opressor –, se não se  desvincula o argumento de posicionamentos sociológicos. Irrevogável que a contaminação teológica se torne o pressuposto dos caminhos da religião como aquela contrária ao capitalismo – o sistema opressor.

Não significa que todos aqueles que se utilizam do jargão anticapitalista entendam a rasura da obra de Karl Marx, Gramsci e Leonardo Boff; antes, não os leram por ingenuidade ínsita ao esquerdismo, fenômeno do pensamento humano que se debruça em felicitações à ociosidade.

E não há mente filosófica atrelada ao ócio, por incompatibilidade originária.

Relembro-vos, caros, que o esquerdismo é, antes de posicionamento político, postura favorável à depredação do labor em face do capitalismo – o sistema opressor. E não é outro o ativismo ambientalista.

Aflora-se tardiamente o inevitável

A convergência do ambientalismo à visualização do planeta como entidade regida pelos deuses demonstrou-se, inicialmente, falácia dignificada aos adjetivados fundamentalistas, termo este que se entrelaça à deturpação terminológica anteriormente citada. De tal conceituação ambientalista construiu-se gradativas percepções filosóficas, dentre as quais a primariedade ambiental e sua relação íntima e inafastável das premissas dos primitivos intelectuais submetidos à Mãe Terra.

Se tais afirmações tornaram-se de hilaridade evidente e desconsideradas foram de imediato das argumentações teológicas, ainda que subjugadas ao escárnio da dissimulação ecológica, estabeleceu-se certo parâmetro, ineficaz e incompleto, de análise do fenômeno crescente e que acena tendência em massa da visualização dos recursos planetários como inerentes ao Todo, conseqüentemente, à resposta da Mãe à ganância humana, por meio de desastres ambientais correlacionados.

Entretanto, as tendências de argumentações iniciais ressurgem sob as palavras de ícones ambientalistas que, adestrados sob o linguajar imanente de o que anteriormente se considerou sofismas e especulações, produzem a teologia que se adéqua aos fins prementes de santificar os recursos naturais, catalogando-os aos institutos filosóficos da ética e moralidade como pressupostos intrínsecos do bom humano.

O Herói Mundial da Mãe Terra será ainda lembrado pelos tais.

Ainda aos resquícios do cristianismo basilar, a intelectualidade diminutiva em suas proporções conceituais são evidenciadas nas sombras daqueles que, ainda ingenuamente, repensaram inicialmente a teologia desvinculados de critérios acadêmicos, portanto, acobertados pelo manto da irresponsabilidade intelectual.

Essa ética do respeito é categórica no momento atual em que a Mãe Terra se encontra sob perigoso estresse, é a afirmação de Leonardo Boff em sua pérola de 19 de junho de 2009.

Aflora-se tardiamente o inevitável.

Eric Voegelin e a democracia

“Qual é o papel do indivíduo numa democracia? Para responder a essa questão não precisamos elaborar definições daquilo que é a democracia e daquilo que ela não é; precisamos apenas apontar determinadas instituições que, obviamente, requerem alguma ação da parte do indivíduo.

Nosso sistema democrático moderno é baseado na participação da população adulta na criação de órgãos de governo. Os cidadãos precisam eleger certo número de seus concidadãos para deveres governamentais, e esses, precisam estar prontos a aceitar tais deveres. Consideramos altamente democráticas as instituições quando praticamente todos os cidadãos adultos, homens e mulheres, podem votar e quando os postos são acessíveis a qualquer cidadão, sendo a regra comum a da qualificação pela idade, maior do que a exigida para votar.

Mas simplesmente votar faz uma democracia?

Devemos notar que o voto, simplesmente, não faz um governo democrático. Líderes ditatoriais, e não apenas nos dias de hoje, foram muito hábeis na transformação do processo eleitoral livre num processo mais ou menos sutil do voto de mão-única. Eles permitem que a população vote, mas apenas com um sim ou não; e pobre daquele que votar não. A decisão real acerca de quem deve ocupar cargos é tomada pelo grupo no poder. […] De modo a que um sistema de votação seja democrático, é necessário que esse seja complementado por instituições que permitam ao cidadão formar uma opinião sobre os assuntos e que tal opinião seja politicamente eficaz. Este fim é servido pela proteção às liberdades civis, pelo direito à livre expressão, imprensa livre, direito à reunião e petição, o direito de ingressar num partido, ou, se os existentes não forem do agrado, reunir pessoas e formar um novo. […]

[…] O problema mais delicado da democracia é o da classe governante. Nenhuma sociedade política pode ser mantida estável quando há uma rápida mudança no grupo de pessoas que governa, e uma democracia não é exceção a essa regra. Deve haver certo número de pessoas que façam da política a sua profissão, estabelecendo as regras do jogo, preservando a tradição, iniciando os novatos, moldando-os à tradição. […]

[…] Eles não podem ser uma casta e precisam regenerar-se continuamente, a partir de diferentes estratos da sociedade. Uma delicada textura de interrelações sociais precisa ligar a ampla base democrática dos cidadãos que formam opiniões ao grupo governante, a fim de que este grupo seja verdadeiramente representativo do sentimento do povo e, ao mesmo tempo, preserve o elemento de estabilidade e continuidade no conjunto governante, o que é essencial a um governo estável e eficiente. […] De forma abreviada, o problema de uma democracia funcional pode ser assim enunciado: um povo, constituído de indivíduos, capaz e desejoso de tomar interesse por assuntos políticos, capaz de formar opiniões bem fundamentadas e disposto a dedicar tempo e esforço na obtenção das informações necessárias [para a formulação de tais opiniões]. […]

[…] Os perigos que ameaçam uma democracia podem ser traduzidos por uma fórmula similar: Uma democracia está em perigo quando os cidadãos individuais, por uma ou outra razão, são incapazes ou não têm o desejo de ser bem informados, de ponderar, de argumentar e debater. […] Ou, quando os cidadãos não mais produzem um número suficiente de indivíduos dispostos a assumir responsabilidades políticas. […] Os dois perigos estão intimamente relacionados. […] O caso alemão é bastante instrutivo a esse respeito. Os opositores do regime frequentemente criam a impressão ingênua de que um povo foi sobrepujado e destituído de suas instituições por uma minoria de demônios astuciosos. Às vezes é esquecido o fato de que muito antes de os Nacional Socialistas subirem ao poder na Alemanha, o sistema democrático tornou-se inoperante uma vez que os dois partidos antidemocráticos, o Comunista e o Nacional-Socialista, detinham uma maioria paralisante, por assim dizer. Isto significa que os dois partidos juntos tinham a maioria dos assentos do Reichstag, e juntos bloquearam e paralisaram qualquer ação democrática governamental. E essa maioria antidemocrática no parlamento foi eleita por uma maioria de eleitores vivendo no âmbito de instituições estritamente democráticas. A maioria dos cidadãos alemães desistiu do (ou nunca o obteve) status de indivíduos com opiniões bem fundamentadas, preferindo, em vez dessas, ter convicções. […] O problema da democracia é, portanto, manter os indivíduos num estado de espírito democrático. […]

Henrique Dmyterko, em tradução livre de Eric Voegelin

Todo aquele exaltante dos mistérios do Espírito

Ingenuidade atribuir somente à abstração espiritual – em sua máxime o esoterismo que se propõe constantemente de elevada intelectualidade -, o antagonismo da objetividade cristã, que fundamenta o academicismo e a universalidade do conhecimento àqueles que se pretendem ao mesmo. Se o indivíduo submetido à mística esotérica é aquele que retornou ao estado semi-cultural, o cristão apregoado sob a abstração misteriosa sucumbiu às trevas medievalistas, quando estas eram vistas como virtudes espirituais justamente por sua conclusão animalesca dos fatos.

Não significa, por óbvio, que todo aquele exaltante dos mistérios do Espírito submetem-se ao estado deplorável da obtusidade – leia-se, o indivíduo que se não estabelece minimamente aceitável -, mas de suas origens constata-se evidentes traços e robustez do cristianismo anômalo, que culmina irrevogavelmente em deturpações tornadas essenciais à mantença do abstrato como ausência de intelectualidade.

Estes são os tais que, mergulhados na bestialização do cristianismo, posteriormente vislumbram em um único indivíduo a razão última de toda ânsia teológica, debruçando-se sobre o mesmo infantilmente e tendo-o por conselheiro ao ultimato da alma inconstante.