Se lhe ofertado o ócio estatal

A argumentação do igualitarismo se destoa da iniciativa universitária – conseqüentemente, do mérito – fazendo-se simulacro da justiça eqüitativa, pois que à sociedade alicerçada da filosofia tão somente origina-se o distanciamento entre indivíduo e coletividade, porquanto assim deve ser tratado o coletivo se é constatada a característica do individual esforço.

A coletivização do pensamento subjuga a produção intelectual ao condicionamento, somente amparado pelo Estado, da idealização falaciosa do homem como ser destituído de diferenciações evidentes,  estes que amparam a natural exclusividade universitária.

Ora, quando se repele o Estado do indivíduo não se referencia de imediato a precariedade estatal, mas também sua disposição em anular a meritocracia inerente ao republicanismo.

Outra não é a falácia que respalda a ânsia ao Ensino Superior, definido como direito de todo e qualquer cidadão: antes, privilégio concedido àqueles que adentram o meio acadêmico aos fins decorrentes do desespero, desvinculando o pensamento filosófico de seu alicerce, que é o conhecimento pelo conhecimento, a intelectualidade que absorve o evolucionismo da mente científica.

Ainda, pertinente o estudo do fenômeno das massas pelas mãos do espanhol Ortega y Gasset, que na releitura contemporânea vislumbra contornos ímpares: o indivíduo que se serve do academicismo aos meros fins financeiramente retributivos é o mesmo que, se lhe ofertado o ócio estatal, teria por virtude o louvor ao Estado como o faz aquele que já anseia o assistencialismo em sua condição deplorável.