O realce de Satanás

A espiritualidade que concerne aos caminhos do abstrato está fadada a sucumbir em seus alicerces, porquanto adicionou-se à Fé a consciência fraquejante daquele que impele à deusificação de fenômenos desconhecidos. Não somente aqueles que são vistos na literatura helênica, quando os deuses eram porventura a representatividade máxima do exercício natural do ambiente; também a faceta misteriosa da atuação divina, oriunda da exegese bíblica que lhe oferta amparo irresistível.

Não obstante, as catástrofes de outrora, que investigaram as seqüencias ao melhor rito e o devido sacrifício, preponderam sobre as mentes inclinadas aos sabores do dualismo mistificado ante a forma do Inimigo como fatual Pêndulo de Foucault, pelo qual o ponto central da trama é a linha tracejada que inevitavelmente terá por se escorar na benignidade divina, e na maledicência do Oposto.

Não é outra a conseqüência do feito: abandona-se o estudo criterioso teológico para que dê aso aos ventos das mentes que carismam a soberanização da figura satânica bíblica, por meio da abstração dos mistérios, e a humanização de Deus, incutindo-O as revelias da personalidade, além daquelas encontradas nos registros do antigo testamento.

Abandonar a visualização da espiritualidade como pressupostos intrínsecos de reais batalhas celestes entre o Bem e o Mal?

Não há que se retirar do anseio humano que o mesmo se valoriza em face das entidades ambiciosas à desgraça humana: o realce de Satanás é, antes, o culto do ego.