A mendiga que antes ouvira as preces

Inclinado ao desvendo Diéneces sucumbiu à curiosidade, prostrando-se detrás das cercas as quais constituíam o liame do templo à vizinhança. O padre operou sobre o jardim sua odiosidade à beleza das rosáceas e gérberas, dilacerando-as com fervor ao som do badalar dos sinos do antigo episcopado, porquanto não admitira o intromissão do jardineiro, aquele que manipulara a natureza à magnitude sobre-humana de fascinação ofuscante à Virgem deleitada sobre o altar. À última bétula Diéneces suspirou com o ar da desumanização do jardim frontal, aniquilado palas mãos do santo-pai, porém não mais como anteriormente, quando debruçada nas escadas da construção a velha implorou o último pão, posteriormente, e entregar-se aos corvos. Diéneces, aturdido, viu-a fenecer.

A mendiga que antes ouvira as preces de construção poética singular esperava do santo orador o suplicado alimento.

– Não és digna de minhas diligências, pobre mulher – afirmou o poeta, fitando-a com os olhos convictos.

Mas a velha contemplou no cavalheiro a sinceridade dos homens puros, dados à literatura e teorizações, e por isso deu a ele indulgência que o padre não lhe ofertou; deu-se aos passos largos à charrete que o esperava, sorrindo pois que fora anistiado pela miserável ali sempre presente, e prometeu a si mesmo à indigente recompensas. Deparou-se, contudo, com o corpo já atormentado pelas larvas, remexido pelos bolores que apoderavam-na a face. Decaiu atordoado lentamente de trêmulos joelhos, prostrando-se perante a pútrida mão de dedos ainda abertos. E chorou.