A observação do animalesco

Há certa vulnerabilidade na proclamação da cultura subdesenvolvida, pressupondo-se o escalonamento cultural tal como valorativa é a perspicácia apreciativa do indivíduo às artes. Não somente a arte romântica alemã e francesa do século XIX naquilo que é “belo e sublime” – a qual Dostoiévski rechaça em Memórias do Subsolo -, mas a caracterização genérica da cultura religiosa, esta inevitavelmente atrelada às artes contemplativas.

Àquilo que fundamenta a precariedade investigativa é possível a observação do animalesco na espiritualidade cristã, encontrável de fato na mente carismática quando subjugada às manifestações visíveis e observáveis, tal qual manequim dos anseios do indivíduo que naturalmente se adequa às presunções de supremacia espiritual, fazendo-se personalidade contraditória, porquanto alheio às ditas manifestações é simples mortal escravizado pelas dúvidas e intempéries do sofrimento.

A este é lhe dado o potencial de exteriorização dos instintos soberbos da humanidade, visto que destituído de filosofia e intelectualidade consegue ainda se expor alguém de características nobres – se nobreza é demonstrar aos seus irmãos elevado índice à animália. A cultura prima pela reflexão; destiná-la ao abismo da ridicularização é tão somente adiantar o processo do indivíduo que se submete ao escárnio provocativo, diz-se, verdadeiramente espiritual, incauto de proeminência avantajada, que sucumbe o Evangelho aos níveis depreciativos do orientalismo.