Acerca do diploma

O Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe hoje uma boa notícia às pessoas de bom senso. Por oito votos a um, seus ministros decidiram que o diploma de jornalismo não é obrigatório para exercer a profissão. Durante quatro décadas, o Brasil viveu na contramão do mundo civilizado. Em todas as democracias do Ocidente, jornalista é aquele que tira do jornalismo a maior parte de seus proventos. Exceto neste país incrível, onde só podia exercer a profissão quem tinha um papelucho de uma escola de jornalismo.

A lei infame foi parida pela junta de generais que assumiu o poder em 1969, mais conhecida como os Três Patetas. As esquerdas, em geral tão raivosas quando se trata de contestar os atos gestados pelo regime militar, fazem boquinha de siri ante o dispositivo corporativista. Não só faziam boquinha de siri, como defendiam com unhas e dentes a lei da ditadura.

Não por acaso, os velhos comunistas eram – e são até hoje – os mais aguerridos defensores da exigência de diploma. Pau que bate Chico bate Francisco. Reservas de mercado só fortalecem a guilda. Quem sabe faz, quem não sabe ensina. A regulamentação do jornalismo gera milhares de empregos na área acadêmica. Professores que muitas vezes jamais pisaram numa redação de jornal ensinam jornalismo, ganhando para isso muito mais que o jornalista e sem o risco de enfrentar os humores do mercado. Sem falar que os cursos de jornalismo viraram laboratórios de marxismo, onde o aluno era ensinado a manipular notícias para manter sempre viva a falecida luta de classes.

Gilmar Mendes, o ministro relator, lembrou que o decreto-lei 972/69, que regulamenta a profissão, foi instituído no regime militar e tinha clara finalidade de afastar do jornalismo intelectuais contrários ao regime. Ora, intelectuais contrários ao regime é a última coisa que querem os marxistas em seus regimes. A lei dos milicos caiu como uma luva às viúvas do Kremlin. Os sindicatos e associações de jornalistas, todos tomados pelos velhos comunas, sempre defenderam histericamente o privilégio da guilda.

Triste país este nosso. Foi preciso decorrer duas décadas após a queda do Muro, para que o jornalismo se libertasse das amarras de Moscou.

Janer Cristaldo

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