O prestígio do ócio alimentado

O deputado federal Jackson Barreto (PMDB-SE) é o nome que levará ao Congresso a proposta de Emenda Constitucional que solicita o terceiro mandato ao Metalúrgico. Diz-me Barreto: Estou expressando o que eu sinto no Nordeste. O Nordeste se sente prestigiado, a população se sente cidadã em razão das políticas públicas do governo Lula.

O prestígio do ócio alimentado pelo Estado é o problema que teóricos como Friedman e Hannah Arendt já anunciavam. De fato que a cidadania tupiniquim envolve não somente o labor personalíssimo, mas também o amparo da “política pública”, nome alimentador de outras retóricas, tal qual a argumentação abstrata de “população”, que no discurso do deputado faz-se entender a satisfação do Nordeste caracterizado como a região do assistencialismo.

Mas o Metalúrgico, em sua palestra aos irmãos chineses, argumentou a inviabilidade do terceiro mandato.

É a história se repetindo, como se repetem as falácias da Esperança: o indivíduo nega a pretensão ao terceiro mandato, como aquele que exige o cumprimento da democracia; seu partido, como rival do próprio mestre, reafirma as exigências da população. O mestre segue-os, porquanto – ainda que contrário à sua vontade – deve se submeter às ansiedades de seu lastro, amparado pelo clamor dos assistenciados, à vontade da ociosidade, inércia da cidadania, se cidadão é aquele que contribui à sociedade, conceito desconhecido pelos tais.