O menor traço de estupidez

Se quiserdes estudar um homem e conhecer sua alma, não presteis atenção à maneira pela qual ele se cala, ou pela qual fala, ou pela qual ele chora, ou mesmo pela qual se emociona com as mais nobres idéias. Olhai antes quando ri. Se ri bem, é porque é bom. E notai bem todos os matizes: é preciso por exemplo, que seu riso não vos pareça estúpido em nenhum caso, por mais alegre e ingênuo que seja. Assim que notardes o menor traço de estupidez no seu riso é certo ser esse homem de espírito limitado, ainda mesmo que nele pululem as idéias. Se seu riso não é estúpido, mas se o homem, ao rir, vos pareceu de repente ridículo nem que seja um tantinho, sabei então que esse homem não possui o verdadeiro respeito de si mesmo, ou pelo menos não o possui perfeitamente.

Dostoevsky em O Adolescente