Se com ela saboreia-se o ópio da dissimulação

A filosofia judaico-cristã tem sua superioridade aproveitada pela manifestação quanto aos fundamentos acerca da divindade, quando Deus predita ao homem características essenciais à existência – o relato de Gênesis deve ser vislumbrado tal qual a concepção mitológica do símbolo do caráter e fraqueza humanas, enigmas da personalidade contraditória -, como nos relembra ao relento de contos os textos helênicos, observação esta incompatível à vicissitude esotérica.

O esoterismo, alicerçado no exaurimento das concepções mentais, mostra-se belo em sua forma esvaziada que suplanta a concretude e firmeza da filosofia, porquanto dignifica-se espiritualista respaldando-se nas facetas de alheias intelectualidades, virtude rudimentar da fraca filosofia, não obstante justificando, portanto, tamanha diversidade religiosa adentrada em um mesmo âmbito supersticioso.

Pois então tal mente abrace lascas da religião, transfere-se à retórica esotérica configurações espiritualistas pela justa composição nas diversidades de pontos específicos das demais religiões.

A incompatibilidade para com o mito de Gênesis na formulação do caráter humano ocorre gradativamente à abstração da mente, esta que se submete finalmente à falseação convicta da realidade, e ápice da deturpação da Personalidade.

Porém a mentalidade destituída da intelectualidade inerentemente contemporânea, que deve o indivíduo perseguir para que não seja socialmente rechaçado, encontrou na tese da irrealidade confortáveis amparos. Não significando, por óbvio, os mentores do esoterismo serem indivíduos incultos e afilosofados, ao inverso, pela cultura e filosofia são sabidos de seu público intelectualmente limitado, facilmente deturpável, como jaz a realidade em suas vistas.

Entendível o cristão convicto abster-se ao amparo da gnose pela qual perpetua-se as diligências e caprichos da mente. Ora, o indivíduo que se alicerça na misteriologia pós-moderna – a tese ressurgida de Marcião – minimamente não se esquiva de forjar e reconhecer a validez esotérica, se com ela saboreia-se o ópio da dissimulação.