O homem como ser espiritual

Todo humano é limitado. E só é realmente humano à medida que se eleva sobre sua própria limitação, superando-a e, portando, transcendendo-a. Desse modo, um homem em geral só é um homem porque – como ser espiritual – está acima do seu ser corporal e psíquico.

O homem, como ser espiritual, não só se encontra confrontado com o mundo – tanto com o meio ambiente como com seu mundo interior – como também toma posição diante dele. Em qualquer momento de sua existência, o homem toma posição tanto em relação ao meio ambiente natural e social, como diante do mundo psicofísico vital. Designamos exatamente como espiritual no homem aquilo que pode se confrontar com todo o social, o corporal e inclusive o psíquico nele. Por definição, o espiritual é só o livre no homem. Chamamos ‘pessoa’ só aquilo que pode se comportar livremente, sejam quais forem as circunstâncias. A pessoa espiritual é aquela parte do homem que se pode confrontar sempre e a qualquer momento.

Não tenho necessidade de tolerar tudo de mim mesmo. Posso me distanciar daquilo que se encontra em mim, não só do psíquico normal, mas também, até certo ponto – dentro de limites flexíveis – , do psíquico anormal que existe em mim. Assim, não sou categoricamente dependente de coisas como, por exemplo, o tipo biológico que represento ou o caráter psicológico. Pois um tipo ou um caráter, eu simplesmente “tenho”, ao passo que o que eu sou é a “pessoa”. E esse meu ser pessoa significa liberdade, liberdade para transformar-se em personalidade. Liberdade para ser assim e liberdade para transformar-me em algo diferente.

Viktor Frankl