Elas são estranhas porque são sólidas

Essa estranheza das coisas, que é a luz em toda poesia, e na verdade em toda arte, na realidade está vinculada com sua alteridade, ou com aquilo que é chamado sua objetividade. O que é subjetivo tem que ser inerte, e é exatamente o que é objetivo que é, dessa maneira imaginativa, estranho. (…) No subjetivista, a pressão do mundo obriga a imaginação a se voltar para dentro. No tomista, a energia da mente obriga a imaginação a se voltar para fora, mas porque as imagens que busca são coisas reais. Todo o seu aspecto romântico e encantador reside, digamos assim, no fato de elas serem coisas reais; coisas que não vamos encontrar olhando para o interior, para a mente. A flor é uma visão porque não é só uma visão. Ou, se se preferir, é uma visão porque não é um sonho. É isso que constitui para o poeta a estranheza das pedras, das árvores e das coisas sólidas: elas são estranhas porque são sólidas.

Chesterton