Emoções primitivas

A simplicidade molda-se religiosamente em virtudes, ainda que respaldada sob a deficiência de seu conceito; com ela o evangelicalismo pretende-se simplório em seus adeptos como forma de perpetuar a elogiosa escassez material, mas não somente: também a precariedade intelectual e investigativa.

A beleza conceitual da exaltação ao pobretismo arrasta consigo a depreciação do homem em sua atuação sublime – que é filosófica -, acervo evidente à degradação que em vertiginosas elucubrações tentam estabelecer o liame entre espiritualidade e pobreza, religião e mendigagem.

E nessa ampla apelação ao escasso a estética litúrgica mostra-se fútil.

O ponto crítico da simploriedade como virtude adentra os aspectos religiosos de culto, estes que na realidade dos tais são espelho e reflexo da animalização do servo, atos instintivos do débil que chamados espirituais são resultado de anteriores aviltamentos.

Balbúrdia e latomia religiosa deduzem resquícios do que antes era estético, porém agora conseqüência do simplório proposital, e atração ao sáfaro que apaixonado pelas premissas da animália subjuga-se às emoções mais primitivas, portanto, depreciativas. A primitividade emocional – nada correspondente às emoções dos poetas -, animalista como é, não eleva seu resultado demasiado bizarro: a música, a arte dos sons, mostra-se dúbia, naturalmente involuída, como seus feitores.

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