Explicam-me os piedosos o desapego material

Amantes da rosa vermelha enveredam aos caminhos da imbecilidade a passos largos, lacrimejando revolucionários à retórica das renúncias ao materialismo, como se o material obtivesse a frivolidade espiritual latente em seus conceitos. Explicam-me os imateriais, piedosamente desprovidos da gana ao objeto, que o novo aniquila o velho em escalas inconcebíveis, porquanto o velho deve ser devidamente reconhecido pelos trajetos do consumo.

O velho torna-se velho a todo instante, reclamam.

Ora, aos tempos de Marx e Gramsci a inovação demonstrou seu caráter devastador, impedindo a superação ideológica revolucionária da personalidade inconsistente e insatisfatória do homem; a inovação capitalista adentra as arestas da obviedade, vinculando a conseqüente insatisfação ao consumo e sua relação amistosa com a primazia da utilidade.

O velho, o retrógrado, o ultrapassado é ovacionado pelos marxistas como teoria predisposta a tornar belo o inútil, posta a incapacidade da massificação intelectual à promoção do mérito em sua pura concepção: a eqüidade desvinculada da meritocracia reverencia a esterilidade científica, seja dito, a inovação tão somente capitalista.

O merecimento, concluo com o Manifesto, antes de factualmente científico é o pilar da estruturação econômica que avançada não subsiste por meio do igualitarismo.

O mérito fulmina os ímpetos marxistas.

É necessário, pois, perolar o imprestável para que o materialismo seja mascarado em termos que alicerçados dissimulem os adeptos do retrocesso. Nega-se o materialismo, porque ensejam-no pelas vias ociosas. A novidade sucumbe revoluções.

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