Responsabilidade inerente à devida interpretação

Ora, pede-se às figuras polêmicas o status de preponderantes relativistas, assim definidos como a mente do Homem Caridoso. Jornalistas, polemistas e colunistas não se dobram a essa façanha argumentativa pelo fato inerente à escrita que confronta os pares ideológicos: ela é generalizadora, amplificativa, talvez, isolacionista e irresponsável.

Eis a mágica das letras: ao generalizar coloca ao leitor a responsabilidade inerente à devida interpretação, que toma forma de acordo com suas fraquezas e convicções, virtudes e certezas premeditadas. Escrever um texto generalizador é obstruir aquela previsibilidade aclamada para que se substitua, portanto, a personalidade do leitor em sua devida colocação à realidade proposta, podendo este tomar formas das mais interessantes, como o bondoso que se reconhece no espelho ou o convicto tirano que esbraveja quem foi “o desgraçado que escreveu este texto”.

A irresponsabilidade das letras generalizadoras é a responsabilidade do leitor incauto. É um teatro gracioso vislumbrá-lo em seu devido lugar: o espetáculo da assumição e o espetáculo da personalidade mascarada.

Sim, sou irresponsável, generalizador e isolacionista. Desse modo leio meus textos e me incluo na perspectiva do leitor interpretante: como poderia relatar fatos deveras desagradáveis tanto a mim quanto aos que procuram neste âmbito palavras de conforto aos desamparados?

Procuram erradamente, porquanto generalizo em minha irresponsabilidade para que você, leitor e eu, se defina em níveis aceitáveis.

É a mágica da leitura.

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