Novo mundo, nova petição

Ressaltar constantemente – como redescobridores de raras pérolas – a defesa do Estado na regulação do sistema financeiro, e conseqüentemente na mediação da produção especulativa capitalista, é assumir o lastro do estudo irresponsável, senão mera faceta do populismo exacerbado necessário nas sociedades intelectualmente presumíveis.

Certamente que o berço do capitalismo comete tais equívocos quando tão somente amparado pela política de reafirmação de uma era vindoura, em que o epicentro do mundo convergirá novamente à manjedoura Europa. Porém a observação da sangria capitalista produz teses das mais irrelevantes, como aquela proferida pelo Chefe do Poder Executivo tupiniquim: deve o Estado regular o sistema financeiro.

Tal afirmação cita a obviedade.

Alexander Hamilton não é lembrado nas palestras políticas, porquanto não satisfaz a interessante relação amistosa do Estado quando este se deduz na figura referencial de um indivíduo. Nicolas Sarkozy, presidente da França, aquele que profetiza infantilmente a refundação do capitalismo, não cita o conterrâneo Jean-Baptiste Colbert.

Hamilton diferencia-se de Adam Smith. Enquanto este proclamou “a mão invisível” do mercado, aquele reafirmou a posição do Estado na regulação dos interesses capitalistas. Uma novidade aos revolucionários se o entendimento de toda a regulação capitalista fosse dado justamente a Hamilton, patriarca do capitalismo concorrente e referência irrefutável à filosofia econômica pós-moderna. O primeiro Secretário do Tesouro dos Estados Unidos argumentou o que hoje se dissuade em bocas e línguas desconhecedoras da história capitalista, mas que almejam devida representatividade ideológica, visto que tão somente ideologia é o que pode preencher a lacuna entre a insegurança representativa e o populismo dos profetas de um novo mundo esperançoso.

Ora, necessário é estabelecer os critérios fundamentais para a algazarra das modernas economias. Tão somente pela intrínseca relação entre empresa e cidadão, quer-se que o Estado participe da economia, regulando-a, fiscalizando-a, capitalizando as tendências do fascínio consumo à garantia de que todos, independentemente de suas prováveis incapacidades intelectuais ao mercado, tenham a proeza de desfrutar dos mais altos padrões de refino capitalista.

O que almejam os imateriais, puristas desligados retoricamente do consumo sistemático, sumamente evidencia ímpetos acantoados de uma frustração também capitalista. Frustração além do materialismo: a angústia de não acompanhar o desenvolvimento capitalista intelectual pós-moderno.

São estes os tais que silenciosamente imploram Estado ignorando Hamilton e Colbert, porque a característica estatal que está sendo construída é a característica do mínimo esforço escorado nos ombros do assistencialismo. É a gênese, a origem, a preponderante tendência do desataviado indivíduo que vegetativo quer as regalias da meritocracia.

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