A tese do individualismo

O individualismo contrapõe-se a qualquer respaldo intuitivo da coletividade, e pela tese de Hannah Arendt sobre a condição humana pode-se vislumbrar a essência do pensamento capitalista. Em suma, a obra de Arendt soa de extrema ternura filosófica, como em A Vida do Espírito, contrariamente aos conceitos de reafirmação do capitalismo democrático em As Origens do Totalitarismo.

A afirmação do individualismo estabelece preceitos ainda mais anojados, se temos em mente o coletivo como berço revolucionário. A essência individualista da humanidade não pode ser alterada, diz a autora, e o mercado seletivo – o natural capitalismo – é a mediação insuperável da civilização construtiva e fundamentada na organização burocrática de Weber; o que difere exemplarmente do conceito burocrático tupiniquim: a burocracia como entrave ao desenvolvimento sistemático.

Todo regime amparado pelo Estado afirmaria o inequívoco retorno à depreciação do indivíduo, para a afirmação do bem coletivo e a calcificação da intuição individualista.

Às ideologias massificadoras prevê-se a utilização do termo “social-democracia” pelos devaneios do Estado, porquanto almeja o coletivismo em deturpação do individualismo, este tido como distúrbio da intrínseca piedade humana, a piedade do coletivo.

O pensamento revolucionário nada mais é que a transfiguração do pensamento estatal massificador: atrelados às figuras políticas que fomentam a devida paixão pietista – porque pensam os tais nos segregados, excluídos pela juvenil conspiração do mercado arrebatador -, de forma menos branda fazem o papel da intolerância acivilizada ao indivíduo, visto que seus ímpetos foram ofuscados pelo amor ao Estado, a ideologização do Poder nas magnitudes estatais.

A tese do individualismo de Hannah Arendt é a exploração dos pontos contraditórios do pensamento revolucionário. O esquerdismo não se mantém pelas próprias suposições, mas tão somente com a negação do oposto. É o que filosoficamente seria chamado “o pensamento subversivo”, teimoso, juvenil, almejado pelos mesmos parâmetros teóricos do cristianismo libertário, que será ainda analisado.

Anúncios