A arte piedosa

O vislumbre de uma arte definhada pelas mazelas da carência intelectual é facilmente encontrado na religiosidade contemporânea, e aos ralos se vai a arte como pressuposto de elevação cultural. Envolve-se tão somente a perspectiva do artista em sua exploração do imaginário humano, que para tal se esforça em diminuir o abismo separador da arte secular e sacra atuais.

Em nome de Deus produzem deformidades artísticas pela justificativa da pia sinceridade; querem estes, dançantes nos palcos da fé, convencer o secularismo de que é válido o limitado ensejo de seus ímpetos, para que no secular tenham a merecida recompensa – certamente ainda não conquistada.

Esforçam-se, de fato, com sorrisos e mãos levantadas, e quão belos são os argumentos que fundamentam seus gestos. Porém o abismo é evidente: a intelectualidade defasada não expõe dúvidas aos observadores. A arte é destruída pelos passos e gestos daqueles que são espelho da limitação cultural que assola as mentes do cristianismo atual.

A deformidade intelectual se resume na crítica reprimida pela compaixão à lealdade da causa, que se estende consequentemente a outras áreas da nefasta religiosidade aparente.

De fato, agem honestamente ao contrariar a essência artística instituída quando colocam à frente dos sinceros intuitos a vontade e gosto divinos. Reafirmam – com a mesma veemência pela qual são excluídos de conceitos artísticos – que não são a homens suas investidas, sequer aos críticos.

Os pilares do apedeutismo são frágeis, e por isso a constante necessidade do afastamento dos tais do secularismo. Ao entrarem no parâmetro não cristão de arte, inevitavelmente terão de se submeter à elevação cultural: um fardo de difícil entendimento, que necessita de esforço e consentimento mútuo de todo um coletivo abraçado na mesma credulidade.

Entretanto sabem, com a mesma sinceridade da arte grosseira como aberração intelectual, que a dita submissão seria o fenecimento do movimento evangélico, este totalmente atrelado a pensamentos diminutos, bárbaros.