O mistério Marx

A desesperada mente juvenil em suas aspirações revolucionárias não merece a atenção de Marx, se com ele percorreu a mesma seriedade de sua tese. Que afirmem a maestria marxista na condução de raciocínios diminutos, mas de grande relevância aos arcaicos tempos em que se firmava, porquanto facilmente são encontrados – como roedores desprotegidos do vetusto abrigo – aqueles que trazem em si o nato sentimento do fracasso.

Sequer o fracasso profissional, a que Marx também estava familiarizado, porém a desgraça de submeter conceitos religiosos às definições revolucionárias, atingindo Jesus Cristo pelo manto já previsto nas eras franciscanas: “o Mestre, precursor revolucionário”.

Como palha reunida à queima são aqueles que justificam apetites incontroláveis na dissolução de amotinadas teses ao alicerce de veredas espirituais.

O vinco é forjado e ocorre a divisão de águas. Com corações inquietos gritam as jovens vozes, à esperança de serem parte do seleto grupo pelo qual Cristo se satisfaz na piedade que subestima a carência: “o consumo é a razão de toda miséria”, afirmam. Falta-lhes obstinação na leitura marxista perante um autor que oferece além dos inconformados esbravejos.

Não abandonam a retribuição acadêmica às idéias proletárias – a maligna exploração empresarial -, e por seqüela permanecem na desvalorização evidente de um indivíduo que não merece os holofotes da filosofia, mas que contribuiu excelentemente ao sistemático ensejo do factual materialismo.

Marx expandiu a limiares inalcançáveis o vislumbre momentâneo da plebe de que são eles também designados aos padrões burgueses. Assados como batatas, douraram nas esperanças ao alcance em massa do vestigioso consumo antes restrito às elevadas camadas sociais. As tentativas ainda persistem, pelas vozes dos bravos jovens revolucionários.

Todas as honras a Karl Marx, precursor do consumismo pós-moderno.

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